Estudo realizado por Yannick Nouailhetas e seus colaboradores Carlos Eduardo Bonacossa de Almeida e Sonia Pestana e divulgado pelo site do Cnen (www.cenen.gov.br) mostra os efeitos negativos que podem ser causados pela exposição excessiva às radiações ionizantes.
Radiação: Qualquer processo físico de emissão e propagação de energia.
Radiação ionizante: Radiação cuja energia é superior à energia de ligação dos elétrons de um átomo com seu núcleo; radiações cuja energia é suficiente para arrancar elétrons de seus orbitais.
Ao atravessar um material, estas radiações transferem energia para as partículas que estiverem em sua trajetória, neste caso o átomo é momentaneamente transformado em íon positivo, e o elétron arrancado torna- se íon negativo. A introdução de pares de íons (positivos e negativos) na matéria chama- se ionização.
“A interação das radiações ionizantes com a matéria consiste na transferência de energia da radiação para o meio irradiado”.
Efeitos das radiações ionizantes no homem:
O efeito das radiações ionizantes em um indivíduo depende basicamente da dose absorvida (alta/baixa), da taxa de exposição (crônica/ aguda) e da forma da exposição (corpo inteiro/ localizada).
Qualquer dose absorvida, inclusive das doses provenientes de radiação natural, pode induzir câncer ou matar células. A questão é de probabilidade de dano, de mutações precursoras de câncer e números de células mortas. Danos podem ser reparados; mutações podem tanto representar falhas nos mecanismos de reparo, como mecanismos de eliminação de células inviabilizadas pelo dano.
Estas e outras questões passam a envolver o número de células destruídas, o momento que a morte celular ocorre, há um comprometimento de órgãos e/ ou tecidos.
Síndromes de irradiação aguda correspondem a um conjunto de manifestações clínicas apresentadas por indivíduos submetidos a exposições envolvendo altas taxas de dose e exposição da área importante do corpo (corpo inteiro). Síndrome Prodrômica ocorre de minutos a um dia após a exposição e se manifesta pelo surgimento de náusea, vômito, diarreia e mal estar generalizado. Em paralelo à Síndrome Prodrômica é obervado um período de latência que corresponde ao intervalo de tempo que ocorre entre o momento da exposição e o surgimento dos primeiros sintomas de falência orgânica, a duração deste período pode variar de alguns segundos a dias.
Quando, por ação das radiações, um número importante de células- tronco pluripotenciais é destruído, estabelece- se a Síndrome do Sistema Hematopéico. Linfócitos T, plasmócitos, monócitos, neutrófilos. Acidófilos, basófilos, eritrócitos e plaquetas são elementos figurados do sangue e apresentam um alto grau de diferenciação. Com a destruição das células- tronco pluripotencial, a reposição de elementos é interrompida e a Síndrome se estabelece. O indivíduo desenvolve um quadro de umunodeficiência grave, anemia e propensão a hemorragias e infecções.
A introdução de mutações no genoma de uma célula é considerada indispensável para a indução de um câncer por ação das radiações. No entanto, mutações radioinduzidas não evoluem obrigatoriamente para câncer. O que se observa é que a probabilidade de cancerização a partir de células irradiadas é superior à probabilidade de ocorrência deste processo a partir de células não irradiadas. Mutação seria o primeiro passo do processo de cancerização. Diversos outros fatores parecem contribuir para este fato, o que faz com que o período entre o momento em que ocorrem mutações no genoma de uma célula e a eventual manifestação do câncer possa ser de vários anos, senão décadas. Quanto maior a quantidade de energia absorvida por um indivíduo (dose absorvida) maior a probabilidade de que venha desenvolver a doença.
Para maiores informações acessem o Site do Cnen e baixem o documento completo sobre Radiações Ionizantes e a Vida.